sexta-feira, 7 de maio de 2010

Feliz Dia das Mães.


Deus descansou no sétimo dia.

Foi exatamente quando deixou para que as mães tomassem conta

do mundo e distribuíssem a sua beleza.




Alguém já disse que a mulher mais linda do mundo é a mulher grávida. E tinha razão.

Mãe é arco-íris, primeiro porque muito antes dos filhos sequer imaginarem, como uma flecha, ela está adivinhando tudo o que queremos. Depois porque por mais que os olhos não estejam diante, sempre estão presente. Mãe é essa idéia de comidinha especial, de certeza que ela estará sempre aguardando por nós seja de uma viagem, seja para ficar com os netos, seja para a visita do fim de semana, seja para secar nossas lagrimas ou abraçar nosso sorriso. Mãe é a nossa idéia mais bela sobre o amor. Um amor que não tem preço, um amor que há sempre lugar para todos, um amor sem fila, sem mais para uns ou para outros, um amor que não cansa. Um amor que todos os dias é mais amor.


Mãe é roda gigante. Cuida da gente, cuida da casa, cuida de ter que trabalhar, cuida de ter que inclusive segurar as pontas sozinhas e ser mãe solteira. Não é por menos que acabamos chamando o planeta de Mãe Natureza. Porque mãe é alimento. Alimento que começa lá nos seios na amamentação, mas também é a que faz o curativo, mas também é a que ouve nossas confissões sobre o primeiro amor, mas também é a que podemos chorar na frente sem constrangimento, mas que também é a que ensina para nós que a vida é feita de sim e não.

Mãe é lápis de cor. Mãe é o jeito mais belo de se aprender. Aprender que o mundo pode ir muito bem obrigado quando se coloca carinho, pode ir muito bem obrigado quando se acolhe, pode ir muito bem obrigado quando se deseja o melhor para o outro. Que um beijo verdadeiro é o maior e melhor contrato que duas pessoas podem ter e não se esquecer nunca mais uma da outra. Que o mundo pode ir muito bem obrigado quando a beleza é beleza do coração.


Mãe é caminho. Pode ter sido a biológica, pode ter sido a avó, pode ter sido adotiva, pode já ter ido e pode estar na hora de fazer as pazes. Mãe é oceano que circunda velas. Nós barcos desse a-mar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

[enquanto Houver]

Enquanto houver pessoas que dancem e outras forem vê-las, ainda há uma parte do mundo que quando o liquidificador bate, rebola as cadeiras.

Enquanto houver pessoas que sobem no tablado e outras largam seus DVDS,Games, Internet, ainda há uma parte do mundo que quando diz eu amo você é uma coisa como picolé ao sol.

Enquanto houver pessoas que seu ofício é cantar e outras largam suas máquinas registradoras, agendas, plantões para vê-las, ainda há uma parte do mundo que quando o chuveiro esguicha também lava a alma.

Abra a janela. Se eu estiver lá embaixo eu abano pra você. Se eu não estiver abane pro mundo. Se esbarrar em alguém sorria. Se alguém esbarrar em você junte com ele os pacotes que caíram no chão.

Os anjos nem sempre colocam nossos amores entre os nossos. Dê flores. As flores sempre se abrem. Fale de você, fale onde venceu e onde perdeu. Não brinque de cabra-cega, as paredes têm ouvidos.

Admito, mas admita comigo, a arte está aí.

O problema não é dançar bem, é ter coragem para sair do ritmo. O problema não é cantar afinado, é não ter medo de que as pessoas escutem a nossa voz. O problema não é pintar bem o 7, é ter coragem para se expor. O problema não é a cena, é ter coragem que se não der certo, tudo e todos, uma hora saem de cena.

[divinas Deusas]

Eu tinha 16 anos quando conheci a minha primeira Deusa. Ela tinha pouco ou quase nada de seio. Era mignon e lá nos seus quinze anos, suas curvas eram verdadeiros desenhos para meus olhos. Mas, não era o que me enfeitiçava, o que me fazia tremer ao seu lado, errar as palavras e me encabular, era que eu tinha certeza que ela tinha a capacidade de ler meus pensamentos.

Desde lá essa peculiaridade tenho mantido. Essa de perder as palavras diante das mulheres que elejo como Deusas. De repente estou pálido, menino pequeno sem palavras.

As Deusas são sobrenaturais, não por causa dos seus corpos, mas porque podem ler tanto nossos desejos mais românticos, como também os selvagens pensamentos masculinos. Isto nos confunde e confundidos nos sentimos ninguém. Mesmo antes de você a convidar para ir ao cinema, a Deusa já sabe. Ela sabe que você vai ligar, ela sabe que você vai tirá-la para dançar, ela sabe de tudo. Inclusive que você a quer toda nua. A Deusa sabe das nossas desculpas, das nossas culpas e dos medos. A Deusa está lá e permanecerá lá.

Temos que aprender a diferenciar monumentos de Deusas. Monumento é tudo aquilo que o homem é capaz de construir. Tem a estátua da Liberdade nos EUA, em Salvador tem a Praça dos Quatro Apitos, em Brasília tem o Planalto, o Laçador aqui em Porto Alegre e a nova moda agora parece ser a de construir mulheres. Nesse tipo de arquitetura vale desde malhação em academias 24 horas, silicone, injeção disso, creme daquilo, planta baixa, pé direito, lipo e comprimido. Parece inclusive, que a Votorantin está querendo lançar no mercado um cimento que não daria rejeição na pele humana. Pronto, seria a queda do butox.

Nos dias de hoje se proliferaram os Monumentos e não as Deusas. Vai desde aquelas mulheres que estão na mídia como a Adriane Galisteu, as tiazinhas, as feiticeiras, as Déboras Secos, enfim, é uma fábrica. Uma coisa meio parecida com a linha em série pensada lá pelo Henry Ford, cada ano tem um modelo novo no mercado. Além desta produção de celebridades também tem a produção dos monumentos que habitam o mundo dos normais. São as menininhas de quinze anos se bombando, são as mulheres de mais de quarenta que resolvem se repuxar toda para ter cara de menininhas. É um tal de meter airbag, que ao meu ver nem condiz com a paixão nacional dos brasileiros. Vai acabar tendo mulher por aí que também terá que dar seu peso em litros e não mais em quilogramas.

Mesmo hipnotizados por essas bundas virtuais, por esses abdomens hiper-realistas, por esses seios desproporcionais, por essas bocas desenhadas pelos discípulos do Pitangui. Envoltos por uma noite que é o tchan. Uns até querendo que suas mulheres se tornem essas Torres de Pizza, nós homens sabemos, que nenhum tesão dura mais de três meses se não tiver amor. Talvez seja uma boa explicação para entender que só as Deusas vêm realmente da terra de Ícaro. Já vi e sei de homens e mulheres que fizeram de tudo fisicamente porque seus pares lhes trocaram por corpinhos mais sarados e de nada adiantou para reconquistarem o amor perdido. O relacionamento não voltou e aquela onda com um corpinho sarado caiu na mesmice.

Resumo da Ópera. Devemos insistir no amor. Acredito que os homens temem mesmo as mulheres que eles amam. As mulheres que possam levar nosso coração.

Particularmente acredito que todas as mulheres, inclusive essas taxadas de monumentos, todas elas esperam um dia ser tratadas como Deusas. Querem sentir o outro gaguejar em sua presença porque o amor atrapalha as palavras. Esperam por bilhetinhos que contem que saudade mata a gente, ir lá na caixa de e-mail e ver um poema do Mário Quintana. Toda mulher espera uma rosa roubada do jardim da vizinha. Toda mulher sonha com um beijo na chuva, um café da manhã na cama que você mesmo fez. Toda mulher deseja alguém que converse sobre a alma, mais do que futebol, marcas de carro e corridas de fórmula 1.

“Eu te amo” é uma frase apenas com 3 palavras. Ela pode estar escrita no espelho, no papel ou nos olhos. Penso que estamos precisando urgentemente nos alfabetizar novamente. Essa é outra peculiaridade das Deusas – elas são grandes leitoras.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

[bruxos e bruxas]

Nasceu naquele lugar que nunca ultrapassou 5 mil habitantes. Tirando a igreja, o posto de saúde e o parque de diversões que só acontecia no primeiro domingo de cada mês, lá vez que outra se vestia um traje completo para um batizado ou um velório. Para o rodeio, para a lida ou para ir visitar o lugar que as mulheres de família não podiam passar nem na calçada para não serem difamadas, qualquer roupa servia, o perfume que tinha que ser do bem forte.


Desde sempre as novidades eram muito poucas. Um posto de gasolina na rua principal, uma sinaleira que a governadora tinha vindo exclusivamente inaugurar e angariar uma meia dúzia de votos e aquela padaria de uma família de estrangeiros. Tinham hábitos estranhos. Ao lado da padaria uma horta de divindades, gaiolas de pássaros penduradas no varal e ela, ele e as crianças usavam chapeis como do livro que tinha na biblioteca municipal intitulado Peter Pan.

Eles se acostumaram com aquelas esquisitices. Até que uma noite de novembro as crianças saíram vestidas, a menina de bruxa e o menino de bruxo, pedindo doces nas casas e ninguém deu. Permita – me a correção, Seu Antonio foi até o bomboniere de cristal e trouxe algumas guloseimas: balas de banana, chicletes, mandolates e outras porcarias que quanto mais nos tornamos adultos, mais damos uma vida para tê-las em nossos bolsos.

No outro dia era só o que se comentava dentro e fora das casas caiadas com janelas viradas para onde o sol nasce. Não presta dar as costas para o sol, ciganas que vendem lençóis e lêem uma vez por ano a mão daquela gente, plantaram uma crendice que quem faz ao contrário morre na escuridão. Ainda pela manhã misteriosamente o povo inteiro sabia que Sr Antonio tinha saído de casa e dado uma volta inteira pelo quarteirão, coisa que há mais de um quarto de século não fazia por causa de uma moléstia pulmonar. Logo ligaram ao presenteio e o presenteio ao milagre. Não acreditam em fantasmas, nem almas penadas, mas que bruxos e bruxas existem, isso eles festejam na praça para que o fututo não traga fantasmas.

[bambus]


Os vazios. Quantos vazios. Ela me interroga querendo saber se o filho é drogado? Porque não me interroga a razão do filho estar vazio?
Antes. Bem antes de toda essa parafernália de termos que correr atrás se sabe lá do que. De termos que investir em segurança, em mais e cada vez mais conforto, de termos que correr atrás e correr atrás, e correr atrás, tenho a sensação que corríamos mais atrás de nós mesmos.

Bambus e ocos. Frágeis e dobráveis. Multidões e mais multidões andam mais solitárias. Solitários e mais solitários andam no meio de multidões. Insistimos em acreditar que podemos trocar objetos por sentimentos, que presente é caixa de papelão.

Para onde será que irão os objetos? Os badulaques, as quinquilharias, os tênis de marca, o game boy, a tela de cristal líquido, a jóia, a prancha de surf último modelo, a chuteira do astro, a piscina, os quatro banheiros na casa de 25 cômodos? Muitos destes utensílios me parecem que tem parado nas mãos dos terapeutas. A sociedade das coisas como sofre do possuir.

Sempre se teve síndromes, muitas nem tínhamos conhecimento, mas repare que os consultórios nos dias de hoje estão cada vez mais lotados. Desde hiperatividade até casos bem sérios de esquizofrenia. Como dói ter e não se conseguir ser.

Antes. Bem antes de toda essa parafernália lembro-me que sentávamos nos trilhos do trem para ouvir seu apito, passeávamos de balsa, éramos levados ao cinema, nos ensinavam a jogar bola, a nadar, sentávamos para brincar de 3 Maria. A moça não tomava remédio para dormir. Dormíamos com e como os anjos. Confesso: não me lembro tão bem. Algumas dessas coisas sorri para elas em fotos.

Tinham as comidinha de boneca e as casinhas no fundo do quintal. E os bilhetinhos de amor, e as rosas, e os bombons, e o sorvete, e o passar bronzeador, e quando chovia: abraçávamos. Ficávamos embaixo dos lençóis a espera que mamãe trouxesse chocolate quente.

Inventaram escolinha para tudo. O quarto e o computador, uma babá implacável para pais sem fôlego depois de 8 horas enfadonhas de um trabalho enfadonho. O romantismo nessa tal hiper-modernidade foi engavetado. Todo mundo quer, mas todo mundo tem vergonha de querer. Bebe-se e bebe-se para que frases de amor possam subir do coração até a porta da língua. Mesmo com caixas de email abarrotadas de mensagens falando de amizade, ternura, afeto e carinho, nós continuamos vazios. Continuamos silenciosos.

O mais complexo para minha amiga não é que o filho dela possa estar metido com drogas. O mais complexo para minha amiga é se aproximar desse vazio, desse filho vazio. Aproximar-se não como falta de um ou de outro, mas os dois tendo à grande chance da vida deles de uma perspectiva de caminhar juntos e descobrir o que acontece lá nesse espaço que espera.

Chegar perto, bem perto. Onde dois possam se tornar um e cada um não se perca dentro do outro. Não dar amor porque amor não se dá. Estar em amor. Antes muito antes de toda essa parafernália nossos pais cantavam canções de ninar e isso nos fazia cheios de alegria.

[caminho]

É uma pena que sempre descobrimos as coisas quando já estamos no meio do caminho.


O corre-corre é tão grande. A angústia em ter é tão possessiva que estamos valorizando mais o tamanho das casas do que o tamanho dos seres que as ocupam. Estamos cada vez mais pobres. Estou certo disso.

Lembre-se que éramos mais românticos. Comíamos mais sorvete e colocávamos pipocas um na boca do outro. A vaca foi pro brejo. Isso tudo engorda, tem muita caloria. Estamos empobrecendo. Estamos pobres de prazer.

Cadê o prazer de uma boa conversa? Cadê o prazer de nos conhecermos? Cadê o prazer em trocar, em pedir, em receber, em ser amável? Ninguém é mais amável. Estou certo disso.

É fantástico como estamos pobres. Pobres para perceber que o outro nos quer. Pobres para perceber que estamos com medo de tudo. Pobres para tolerar que fizemos esta grande confusão e não queremos arrumar o quarto. Que tolice é isso tudo. Pessoas sendo mais bem tratadas porque tem dinheiro. Jovens que escolhem profissões porque dá dinheiro. Meninas que se expõem nuas para ter dinheiro no futuro. Realmente. É uma lógica meio cachorra. Talvez tenha sido sempre assim, mas está aumentando e tudo que aumenta chega uma hora que... Estoura.

Não me venha perguntar meu sobrenome e a família que descendo. Descendo da espécie que ainda acredita que vizinhos devem alcançar uma xícara de açúcar um para o outro. Sou daquele lado do mundo que chora no cinema. Fecho os olhos quando beijo e quando abro quero saber qual o tipo de compromisso teremos. Como um sonhador, eu ainda creio que as mulheres grávidas são as mais lindas do mundo.

Realmente esse mundo está muito violento. É violento ver gente safada na TV falando de ética e princípios. É violento acreditar que tem gente que não passou da graduação e dá uma de doutor. É violento também ver tanta preocupação com a violência e tão pouca com a fome, com o abandono, com a miséria, com a saúde. Somos todos muito violentos. Estou certo disso.

Seria bom para nós, sem excluir ninguém. Seria bom que entendêssemos que temos que ser mais misericordiosos, mais religiosos na acepção da palavra, mais sentimentais, antes que nos ensinem isso na marra.

A diferença está no sentido. Todos os dias há uma tragédia. Quando ela não vem do exterior vem do interior. É uma sociedade impregnada de câncer, de depressão, paraplégica... Doenças que queremos curar no shopping, nos bares, nas drogas socialmente aceitas e nas não aceitas. Vamos falar sério que essas doenças só demonstram uma única coisa. Esse monte de concreto, ciência, riqueza e tecnologia não dão proteção ao frágil caminho que tomamos que é o do interesse. Estou certo disso. Estes jogos de interesses estão nos envenenando.

Somos tão inteligentes. Pelo menos pensamos assim. É burrice prosseguir. Vamos parar um pouco e olhar um dentro do olho do outro. Vamos escutar o coração do outro e compartilhar o que está preso no nosso coração. Tenho certeza disso. O amor é querer ver a verdade do ser amado. Esse barulho todo e todos falando ao mesmo tempo, a sensação que eu tenho é que vivemos rodeados de muita gente, mas continuamos sós para enfrentar o dia que não tem sol pela janela.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

[aniversário]

Quase chego tarde para festa. Uma bebida? Aceito. Um café bem forte ou um chimarrão. A cerveja você bebe que eu aprecio. Mil folhas, festa sem mil folhas é aniversário de criança. Música? Hoje, mas apenas hoje, me permitirei a ouvir Zeca Baleiro. Vou ficar bem quietinho para que possas filosofar o quanto desejares. Depois damos uma volta de bicicleta para que Sócrates não deixe seus fantasmas na piscina.

Sonho? Parabéns e muitas felicidades.